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Poliane

Negra, cabelos escuros que lembravam uma noite sem luar e olhar castanho como que fazia um convite, mãos pequenas, unhas roídas que revelavam ansiedade intensa, um velho jeans, uma blusa gola polo e uma mochila para acompanhar, e quando não, apostilas e um livro. Não me parecia tímida, um ar espontâneo, descontraído e decidido. Cama desarrumada, cinema, música, louça suja na pia e também preguiça. Inquieta, rara calma, amante dos poetas, escritora de seus sonhos e, sobretudo solidão.

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eu te escrevi umas linhas pra tu ler no final da linha - daquele ônibus que tu pega a semana inteira, e ainda, pra me ver na sexta-feira - que não  fomos linhas fomos emaranhado

oração

todo o dia uma violência colonial, a gente acorda sem sentir o gosto do café, do pão seco com gordura vegetal. a gente espera. invoco a força dos meus ancestrais, a fé, a bravura e a coragem dos que vieram antes de mim. reverencio aqueles que lutaram com a própria vida para que a minha existência fosse possível... eu sei muito pouco, mas sei que meus ancestrais contavam com a cura... não vou morrer na praia... faço uma oração aos meus ancestrais e peço que venham intervir por mim. me ajudem. não posso permitir que essa angústia seja o cerne de todas as coisas
a vida é uma aventura a história é um instante a infelicidade é uma cultura o tempo... tá na estante o homem onipotente saturado de agoras esconde o tédio dos doentes do agora racismo como política de segurança psicoterapia para minar as inseguranças o que a gente faz com o esquecimento? para onde a gente vai com o anulamento?