Negra, cabelos escuros que lembravam uma noite sem luar e olhar
castanho como que fazia um convite, mãos pequenas, unhas roídas que
revelavam ansiedade intensa, um velho jeans, uma blusa gola polo e uma
mochila para acompanhar, e quando não, apostilas e um livro. Não me
parecia tímida, um ar espontâneo, descontraído e decidido. Cama desarrumada, cinema, música, louça suja na pia e também
preguiça. Inquieta, rara calma, amante dos poetas, escritora
de seus sonhos e, sobretudo solidão.
todo o dia uma violência colonial, a gente acorda sem sentir o gosto do café, do pão seco com gordura vegetal. a gente espera. invoco a força dos meus ancestrais, a fé, a bravura e a coragem dos que vieram antes de mim. reverencio aqueles que lutaram com a própria vida para que a minha existência fosse possível... eu sei muito pouco, mas sei que meus ancestrais contavam com a cura... não vou morrer na praia... faço uma oração aos meus ancestrais e peço que venham intervir por mim. me ajudem. não posso permitir que essa angústia seja o cerne de todas as coisas
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