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O cheiro podre da fossa invade os vãos da janela do quarto de Alícia, esta sente o odor do lodo da parede que se acentua com as chuvas de verão.
São quase cinco da manhã e estando sóbria, ela contempla a solidão que habita naquele quarto mobiliado com estante empoeirada e guarda-roupa desarrumado. Deitada, se vira de um lado para o outro, pensa no que diabos  está fazendo ali, angustia-se com os amores que a idade não trouxe, com a ausência de perspectivas para o amanhã. Esfrega as mãos em seu rosto e sente não ter nada dentro dela, agoniza...
Deseja sexo, drogas sintéticas, músicas nos fones ou qualquer coisa que seja capaz deixá-la suficientemente amortecida e não precise pensar sobre a sua condição no plano dessa existência, porque nada pode conter o cheiro podre que exala de uma vida medíocre.

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oração

todo o dia uma violência colonial, a gente acorda sem sentir o gosto do café, do pão seco com gordura vegetal. a gente espera. invoco a força dos meus ancestrais, a fé, a bravura e a coragem dos que vieram antes de mim. reverencio aqueles que lutaram com a própria vida para que a minha existência fosse possível... eu sei muito pouco, mas sei que meus ancestrais contavam com a cura... não vou morrer na praia... faço uma oração aos meus ancestrais e peço que venham intervir por mim. me ajudem. não posso permitir que essa angústia seja o cerne de todas as coisas
eu te escrevi umas linhas pra tu ler no final da linha - daquele ônibus que tu pega a semana inteira, e ainda, pra me ver na sexta-feira - que não  fomos linhas fomos emaranhado
a vida é uma aventura a história é um instante a infelicidade é uma cultura o tempo... tá na estante o homem onipotente saturado de agoras esconde o tédio dos doentes do agora racismo como política de segurança psicoterapia para minar as inseguranças o que a gente faz com o esquecimento? para onde a gente vai com o anulamento?