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Todas às vezes que eu a chamava pra sair comigo, ela dizia que sim. No primeiro encontro, ela me beijou na despedida do ponto de ônibus. No segundo encontro, na praça central, ela virou o rosto quando busquei beijá-la. No terceiro encontro, ela me beijou na mesa do bar. No quarto encontro, dormimos de costas. No quinto encontro, ela disse que gostava de mim. No sexto encontro, ela disse que não me queria. Após um ano, na semana passada, eu a vi no coletivo após voltar da psicoterapia, acenei com a mão, sentei ao lado dela, não trocamos uma palavra sequer. Ela desceu, eu continuei a viagem.

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oração

todo o dia uma violência colonial, a gente acorda sem sentir o gosto do café, do pão seco com gordura vegetal. a gente espera. invoco a força dos meus ancestrais, a fé, a bravura e a coragem dos que vieram antes de mim. reverencio aqueles que lutaram com a própria vida para que a minha existência fosse possível... eu sei muito pouco, mas sei que meus ancestrais contavam com a cura... não vou morrer na praia... faço uma oração aos meus ancestrais e peço que venham intervir por mim. me ajudem. não posso permitir que essa angústia seja o cerne de todas as coisas
eu te escrevi umas linhas pra tu ler no final da linha - daquele ônibus que tu pega a semana inteira, e ainda, pra me ver na sexta-feira - que não  fomos linhas fomos emaranhado
a vida é uma aventura a história é um instante a infelicidade é uma cultura o tempo... tá na estante o homem onipotente saturado de agoras esconde o tédio dos doentes do agora racismo como política de segurança psicoterapia para minar as inseguranças o que a gente faz com o esquecimento? para onde a gente vai com o anulamento?